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Mauro Barbosa Gomes Email para contato: mbgmauro@gmail.com
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EARTH Está nos cinemas, em poucos é verdade, mas é preciso assistir. Vale à pena porque é necessário para a vida, diria que obrigatório nestes tempos de aquecimento global, efeito estufa, derretimento da calota polar. A preocupação com o planeta não é mais coisa de biólogos, botânicos e ambientalistas, diz respeito a todos nós. Primeiro veio Al Gore com sua verdade inconveniente, depois os pingüins nos brindaram com sua longa marcha num show de imagens que retrataram a união e a luta pela sobrevivência , e agora temos “Earth”, ou Terra traduzindo para o português. Trata-se de um documentário épico sobre o mundo que vivemos. Não se detém em alertar sobre os males que os homens estão causando à Terra, isto todos estamos carecas de saber, simplesmente narra como o ela age para gerar e manter a vida abundante sobre e sob ele, tão diversa e incrivelmente interligada. É fascinante perceber como o verão no Ártico derrete quantidades enormes de gelo, gerando água em abundância, e isso vai influenciar o clima de uma longínqua região desértica no interior da África, chamada Kalahari. Um lugar que durante quase todo o ano é seco e sem vida, por algumas poucas semanas, ou meses,transforma-se num oásis com rios e vegetação para onde acorrem inúmeras espécies, como elefantes, leões, zebras, impalas, gnus e tantos outros. Estes animais seguem um instinto certeiro de sobrevivência e numa migração fantástica, marcham para este paraíso antes árido e sem vida, brindando o mundo com um dos espetáculos mais belos e significativos que o já se viu.
Animais migram o ano todo, vários deles atravessam a metade do globo terrestre pelo ar, terra e mar, vencendo toda sorte de perigos na luta incessante pela sobrevivência, numa jornada sem precedentes, onde demonstram o respeito e a harmonia que devotam à natureza, e isso me faz pensar, na verdade, a quem pertence este planeta.
Temos o diferencial da inteligência que nos eleva acima de todos os outros seres vivos, mas os irracionais parecem possuir um entendimento maior que nós sobre o que representa a Terra que nos abriga e a relação entre os seres que a habitam. A intrincada e tênue cadeia que une a todos ensina que predadores matam apenas para alimentar-se e manterem o equilíbrio da vida, assim como o sol, o gelo, a chuva e a grama trabalham para sustentar igualmente este complexo e frágil equilíbrio. Para se ter um exemplo da poderosa engenharia da natureza, árvores coníferas crescem no deserto gelado do pólo Norte, formando gigantesca floresta solitária que têm como única função (e precisa mais?) dar equilíbrio climático ao planeta. Enfim, tudo é de uma harmonia inteligente e delicada e o homem está interferindo desastrosamente em tudo isso, como bem mostra a saga heróica de um solitário urso polar que luta com impressionante coragem para sobreviver às intempéries de um orbe em constante transformação, sentindo terrivelmente as agressões feitas a ele pelo homem. O mais interessante, contudo, é que o grande urso, depois de haver empreendido todos os esforços para manter-se vivo aceita, por fim, o seu destino, sem revolta e com tal resignação que me levou a pensar mais uma vez sobre quem é a raça inteligente deste planeta.
Isso sem contar o balé encenado por baleias, aves, o mar, o vento, rios e florestas, tudo funcionando numa verdadeira ode a vida, formando uma corrente de elos harmônicos e livremente dependentes, brindando os tais seres irracionais com, nada mais nada menos, a aurora boreal, certamente o espetáculo mais incrível já produzido pela natureza. Agora eu entendo o porquê uma batida de asa de borboleta na China pode causar uma ventania no Brasil.
Tudo se encandeia, harmoniza, enviando ao mundo uma declaração de paz, de sabedoria e, essencialmente, de vida. O homem se afastou deste ciclo mágico porque corre avidamente atrás de coisas que o tornaram ansioso, egoísta e conseqüentemente destruidor de sua própria moradia. E olha que sou um cosmopolita, adoro a cidade e seus prédios, as luzes e a tecnologia que me trazem conforto, no entanto cada vez me convenço mais que não podemos ficar indiferentes ao iminente desastre que estamos causando ao planeta.
A natureza é harmoniosa e pacífica, mas igualmente poderosa e exigente, e creio que ela há de cobrar tudo aquilo que estamos tirando dela. Confesso que temo este dia e torço para mudarmos e evitarmos este confronto que, certamente, sairemos perdedores. Ainda há tempo para reverter este quadro preocupante, “Earth” nos mostra isso, nos mostra como a natureza pode resistir silenciosa e resignadamente. Mas entendamos, paciência tem limite.
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