Caixa de texto:

Mauro Barbosa Gomes

Email para contato:

mbgmauro@gmail.com

 

Compare Produtos, Lojas e Preços

Este site é melhor visualizado em Internet Explorer versão 7 ou superior com resolução de 1280x800 pixels

      Bem vindo ao site InfoWebNews, sua revista semanal online sobre tecnologia, ciência, ceticismo e comportamento. Assine grátis o boletim semanal IWN.

O NÃO

 

Já levou um “não” para casa? Daqueles na “lata’, sem dó ou comiseração, um verdadeiro soco na boca do estômago? Você preparou a estratégia um tempão, aí vem uma frase que não leva mais de dois míseros segundos para ser proferida e destrói tudo, acendendo a luz do cinema da sua vida, deixando você sentado na poltrona da realidade cercado apenas por restos de pipoca e guaraná.

- Você é o céu, posso ser o seu cometa? – reparou no símbolo fálico do cometa rasgando o céu? A coisa foi toda bem bolada, noites e noites de Power Point, java script, planilhas e tudo mais.

- Só quando o sol congelar, meu filho! – responde inclinando o tronco e batendo no seu ombro com a ponta dos dedos morenos, uma mania, como se você fosse uma partícula de poeira cósmica – Aí então, depois desta hecatombe que pulverizou os seus anseios mais secretos, só restar sair por aí desembestado atrás de um astrônomo que lhe diga quando o astro-rei vai se transformar numa geleira redonda e, consequentemente, colocar um fim no mundo que habitamos. 

 

Quem sabe já não estejamos perto disso e ainda dá tempo de rolar, pelo menos, um beijo naquela boca carnuda, o próprio apocalipse da sua vida. A culpa desta falseta do destino é do casal formado pelo desejo e a esperança, a praga de todo homem quando se encanta por uma mulher.

O pior do “não” não é a perda daquele monumento à arte, um grande momento do Criador.  Isso dói, mas passa, porque mulheres lindas pululam por aí o tempo todo. O problema é o orgulho ferido. Fui rejeitado, logo eu, tudo de bom, condenado a esperar o sol esfriar daqui a uns dez bilhões de anos. É tempo demais para se estar renegado, você não merece isso, afinal se entregou totalmente ao projeto. Os pensamentos daquela negação não te abandonam e passam a ruminar sua alma até surgirem as inevitáveis desculpas tão esfarrapadas quanto maior for a sua frustração.  Quem ela pensa que é? 

 

Fez isso porque não tem respeito pelo sujeito que se esmerou na conquista e idealizou tudo como manda o figurino, seguindo um plano cuidadosamente concebido e testado. Aí vem ela e pimba! Atira sobre sua teoria da conquista uma exceção à regra, o calo de toda ciência exata.  Se cada passo foi estudado, pensado e repensado com régua e esquadro, como pode um advérbio por fim a tudo? É bem verdade que é um advérbio de negação, mas e todo o trabalho, digno de uma tese de mestrado, não conta ponto na prova final?

É neste momento perturbador onde se confundem a dor e a agonia, que tem início um duelo sem fronteiras entre você e sua consciência, aquela criatura racional, mais conhecida como razão, que mora em algum lugar na sua mente.

Você: Ela também não é isso tudo.

A razão: É sim, você é que está fulo da vida.

Você: Orgulhosa, egoísta, só pensa nela.

A razão: Puxa vida, você é um santo. Argh!

Você: A Sandrinha é mais gostosa.

A razão: Já se olhou no espelho da verdade? Você é, no máximo, bonitinho, e bonitinho é aquilo, um feio melhorado.

Você: As coisas ficaram bem claras para mim agora, me sinto um novo homem, estou pronto para seguir em frente.

A razão: Não mente que é feio! A coisa está preta pro seu lado, vai por mim, isso de “novo homem” é só uma das fases dessa dor de corno que você está sentindo.

O orgulho ferido é um inimigo mais contundente que a perda propriamente dita, mas de que adianta filosofar? Agora, como diriam os antigos, “Inês é morta”, aliás, “ela” nunca esteve viva, só em meus tolos devaneios.

NEWS

Para pessoas

com visão

de futuro

A Verdade

Earth