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Para pessoas

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Mauro Barbosa Gomes

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Alguém lá em cima gosta de mim...

        

 

 

Ou não. Porque eu tento mas está difícil cometer uma bobagem qualquer, sabe? Uma loucura dessas que dá vontade de fazer de vez em quando.

Ultimamente minha vida tem andado um tanto revirada, tipo armário de adolescente, e aí eu resolvi chutar o balde.  Chutar o balde no meu caso é mais o poder da expressão do que propriamente uma atitude.  Pensei em beber todas, por exemplo, mas não consigo passar da primeira latinha da cerveja mais fraca, dessas de menina. É porque, estranhamente, eu perco logo a vontade, a coisa embrulha no estômago, me dá uma dor de cabeça e eu fico logo de pileque, tem graça nenhuma. Antigamente não era assim, lá na juventude, entende? Um chopp significava somente um tira gosto,  hoje é a saideira, meu amigo. Então, o jeito é partir para um outro tipo de aventura: a amorosa. Ligo freneticamente para todas as mulheres do mundo,e olha que tem mais mulher que homem neste planeta, mas nenhuma delas quer nada comigo, e ainda me chamam a razão, pedem-me juízo, ficam todas sensatas, de repente. Chuto o balde, literalmente e com raiva, e penso que neste mundo de meu Deus não existe ninguém com mais juízo forçado do que eu. Sei disso porque fica todo mundo enchendo meu saco pra eu ser menos careta, mais atirado, menos “bonzinho” sabe?

- Vai se divertir, você é muito quadradão, certinho.

- É sim, você precisa dar uma sacudida na vida.

- Vai fazer uma besteira, de vez em quando é bom. Toma um pileque (então tá), pula a cerca (rogaram uma praga), cai na estrada (o carro enguiçou). - Tudo que me aconselham dá errado. Acho que nasci para ser um homem correto, probo, de moral ilibada. Se eu conseguisse por a termo uma aventura eu morreria no dia seguinte fulminado pela culpa, até porque os mesmos que me incentivaram a fazer a tal “bobagem” viriam cheios de brios a  me censurar.

- Rapaz, que deu em você? Um cara tranqüilo, honesto, exemplo para todos nós, cometer uma loucura destas? Onde você estava com a cabeça? – Ela estava nos lugares pra onde vocês me mandaram, bando de traíras.

- Não fica assim, é que você tem uma missão – me diz uma voz boa.  Será? Não sou nenhum Chico Xavier para ter uma missão. Me sinto muito aquém de um homem com alguma missão especial, porque se eu não concretizo meus devaneios, é por pura falta de sorte, por conta da idade ou porque definitivamente alguém lá em cima  gosta ou não gosta de mim, ainda não consegui equacionar esta questão.

Uma coisa entretanto é certa, caros leitores e Elencyr: do jeito que minha vida está, por mais que eu queira, não conseguiria ser um cético, um ateu, um materialista convicto.  O invisível me provoca a todo instante dizendo que é ele quem está no controle da situação e não vai larga assim tão fácil.   No fundo eu sinto que ele quer sempre o meu bem, eu é que às vezes não.

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Alguém lá em cima gosta de mim