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NEWS

Para pessoas

com visão

de futuro

O apagão

 

Elencyr, amigos da InfoWebNews.  E o apagão, hem?  Todo mundo contando como passou as horas sem luz, realmente deu o que falar e pensar, afinal foi o que restou fazer já que não havia TV, Internet, elevador, sinal de trânsito, trem, enfim, era o breu. Isso me levou para o seguinte caminho: e se a luz não voltar mais, como será?  Eu não sei fazer fogo esfregando gravetos, não posso entrar na Internet à luz de velas, é romântico e tal, mas não dá, são incompatíveis.  E quanto às pessoas, “Where is the people”?

 

Como localizá-las onde quer que estejam se não tenho mais como carregar meu celular? Não possuo rádio de pilha, quiçá uma pilha, tudo lá em casa é eletrônico, acho até que eu sou eletrônico. E o ar condicionado? O Rio de Janeiro é um caldeirão fervendo, não vai ter abanador que chegue.

 

Bom, como não conseguia dormir, fui até a varanda admirar a natureza, queria ver estrelas, a lua, talvez um cometa, quem sabe?  Mas chovia, chovia a rodo e eu não vi nada, literalmente. Olhei para a amplidão da noite, alguns pontos luminosos aqui e ali, achei que tinha ouvido um grito, parecia um dinossauro, não, isso não pode ser.

 

Eu preciso da luz, não sei viver como um homem das cavernas, adoro a natureza, mas ela lá e eu aqui, eu gosto de tudo que é eletrônico, o que será de mim se Itaipu parar de vez? Como vou ler a InfoWebNews, me explica, vai ser na base do tambor ou via sinais de fumaça? Rede agora só de pescar e dormir?  E a Hebe, as receitas da Ana Maria Braga? O Futebol aos domingos na TV?

 

É bem verdade que não teremos mais contas pra pagar, pois sem luz, sem dívidas. Não vou precisar fazer imposto de renda, não serei multado por radares, não vou consertar a máquina de lavar ou a geladeira, não terei que malhar para manter a forma, já que não haverá mais controle remoto no mundo.

 

Desaparecerão os anúncios de Natal, não assistirei aos mesmos especiais de fim de ano e estarei desempregado, livre como um pássaro.  Vou caçar a minha carne, plantar meu alimento, construir minha casa, andar nu, não terei que pagar pensão. Êpa! Espere, meu Deus, sim, eu posso ser feliz.  Minhas ex-mulheres não me acharão, sem chefe, sem cobranças, é correr pela relva pelado atrás dos rios que saciarão minha sede, das mulheres que vou acertar com meu porrete e puxá-las pelo cabelo até minha caverna. Sem conversa, jantar à luz de velas (olha o apagão de novo) ou ligação no dia seguinte. Meu sonho de aproximar filhos da natureza se concretizará. Eles saberão diferençar uma jaca de uma capivara sem ter que assistir o canal Discovery. É o Nirvana, eu posso sim viver sem eletricidade, usarei tochas, tocarei violão em volta da fogueira... ops, a luz voltou. Graças a Deus!

Mauro Barbosa Gomes

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