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Mauro Barbosa Gomes Visite o blog do autor: http://blogs.abril.com.br/letrarte Email para contato: mbgmauro@gmail.com
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A Origem, a onda
Nada é pior do que esperar numa fila, no engarrafamento ou no consultório médico. Mas pior mesmo é a espera do dentista, porque você está aguardando a hora de sentir dor, mesmo com anestesia, aqueles aparelhos de tortura, me perdoem, mas é isso. Bem, estava lá no exercício da paciência e enquanto não chegava minha vez, folheava desinteressadamente aquelas revistas de fofoca do milênio passado, até me deparar com um livro. Chamou a atenção por não ser um livro qualquer e estar ali, um lugar improvável, misturado à revistas velhas. Em minhas mãos, na sala de espera do dentista eu tinha o best-seller “Um dia daqueles”. Abri sem demora e reli avidamente. É pequeno, com fotos de animais que casam perfeitamente com as falas. Com o passar das páginas, constatei viver um momento daqueles, o que é diferente. Um dia daqueles é um dia, um momento daqueles pode ser um minuto ou uma vida, porque uma vida é apenas um momento na eternidade do ser. Estou naquela fase de achar que não vivi tudo que queria e me frustro por achar que não dá mais tempo pra tentar reverter este quadro. Mas aquele livro diz que dá, será? Roberto Marinho criou as Organizações Globo depois dos cinquenta anos. Então dá sim. Eu queria “pegar jacaré” novamente, ou seja, esperar a onda vir, entrar nela e ficar com metade do corpo para fora, deixando que ela e a vida me levem. Quando a onda vem perfeita, te ergue, você inclina um pouco o tronco e dá braçadas rápidas antes dela quebrar. Aí depois que conseguir a velocidade certa, meu amigo, é só colocar os braços junto ao tronco e curtir a viagem. É surfar com o próprio corpo. Queria jogar uma pelada e correr sem camisa até minha casa, tomar um suco bem gelado e voltar para jogar outra, e outra. Sinto falta de descer a serra Grajaú-Jacarepaguá sobre um carrinho de rolimã, de jogar búlica e muito mais. Quantas saudades dos embalos de sábado à noite, eu era um grande dançarino, mandava bem nas pistas e nos corações femininos. Os amigos rirão disso, invejosos que são, mas eles sabem que eu era. Queria publicar um livro, não faltam idéias ou ideais. Se Leonardo de Caprio em “A Origem” resolvesse invadir meus sonhos, se perderia na multidão deles. Depois que fechei o livro, pensei ainda mais nestes desejos, enquanto o anjinho e o diabinho que ficam sobre os ombros sussurravam que pode, não pode, pode, não pode, e eu não sabia distinguir quem era quem. É a famigerada dúvida. Os terapeutas de plantão dirão que isto é crise da meia idade, que eu estou negando o envelhecimento e outras coisas mais. Que seja, mas eu quero voltar a deslizar na onda assim mesmo. - Seu Mauro é a sua vez – A secretária me devolve à realidade e o som daquele motorzinho diz que vai doer.
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