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Mauro Barbosa Gomes Visite o blog do autor: http://blogs.abril.com.br/letrarte Email para contato: mbgmauro@gmail.com
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Ressaca e hipocrisia
Acabaram-se as festas de fim de ano, e este fato traz a inevitável ressaca, que pode ser física, emocional, ou ambas. A física é aquela que traduz o descontentamento do seu estômago depois de tanta rabanada, peru, arroz com lentilha e tudo mais que acompanha estas festas. Seu fígado grita por água, porque em dezembro ele só viu álcool. Sua cabeça não para de rodar no dia dois de janeiro, e você começa a lembrar do que disse e fez no período entre o Natal e Ano Novo. É nessa hora que chega a ressaca emocional, muitas vezes pior que a física. Você tenta fazer uma reflexão do ano que findou, mas só consegue lembrar de dezembro. Em seguida, sente ânsias de vômito ao recordar o inevitável almoço de fim de ano, onde você, completamente bêbado, declarou ao seu chefe, em alto e bom tom e com lágrimas nos olhos, que o amava. Sim, àquela criatura que puxou seu tapete o ano inteiro, você jurou amor eterno. E o “carinha” de conhecida fama na empresa inteira, o tal que você prometeu a si mesma jamais fazer o que fez, ou seja, ir pra cama com ele? E só lembrou da façanha aos dois de janeiro, o dia internacional da ressaca. Aí veio aquele “Oh! meu Deus, o que eu fiz?” já que esqueceu o nome do sujeito e se ele ligou no dia seguinte. Contudo, sabe direitinho, observando o olhar dos colegas de trabalho, que o cretino colocou tudo no facebook. E quanto a ti, meu caro, que ganhou de amigo oculto (ou secreto) uma toalha de banho tão pequena, que mal consegue enxugar os dedos das mãos? Em compensação, gastou uma fortuna com a “lembrancinha” sugerida pelo seu “amigo” secreto. E adivinha a coincidência? Foi o mesmo que tirou você. No final das contas, chega-se à conclusão que você bebeu o que não podia, gastou o que não devia e felicitou quem não queria, tudo em nome da alegria e confraternização. Afinal é Natal, Ano Novo, enfim, quando a coisa está acontecendo, parece que vai continuar tudo lindo, o povo se amando, sem contas a pagar em janeiro, nem gastrite corroendo o estômago, e principalmente, sem ninguém engordando. Até porque daqui a pouco é Carnaval. Infelizmente não é bem assim, embora devesse. O seu chefe vai continuar te azucrinando, aquele sujeito não vai te ligar mais, ai de você que não pague as contas, o tiquinho de peso que você ganhou em dois dias de festa, vai te custar um ano de dieta, malhação e espelhos quebrados. Ah! O seu estômago precisará de bastante Omeprazol e você ainda vai ter que enxugar esse corpanzil inchado por tantas iguarias, com uma mini-toalha de mão. É isso, Feliz Ano Novo. Está bem, desculpe este tom um tanto amargo, é a ressaca. Mas sabe quando vai ficar bom de verdade? Quando formos mais sinceros e comedidos nesta época que nos excita, no lugar de acalmar. Quando nos recolhermos para refletir sobre a vida e renovar esperanças, sem tentarmos ser o que ainda não conseguimos. E, por fim, quando ofertarmos o nosso amor para alguém, que não seja por um dia, mas o ano inteiro. |
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