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Mauro Barbosa Gomes Visite o blog do autor: http://blogs.abril.com.br/letrarte Email para contato: mbgmauro@gmail.com
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Versos Sobre a Perda
Sei lá, ultimamente tenho lido crônicas, algumas delas tão belas, que bem poderiam ser classificadas também como poesias, tal a harmonia existente entre as palavras. Estão reunidas em “As 100 melhores crônicas brasileiras”, livro organizado pelo também cronista Joaquim Ferreira dos Santos. Para quem gosta de ler, é um prato farto, uma viagem pelo cotidiano brasileiro desde o século XIX.. Vai de Machado de Assis a Luiz Fernando Veríssimo, passando por Rubem Braga, Vinícius de Morais, Nelson Rodrigues, Clarice Lispector, dentre outros. Com tantas palavras rondando esta esbranquiçada cabeça, deti-me a observar um mundo onde a fome pelo poder e o dinheiro não altera em nada as leis da vida. Uma delas, inclusive, das mais implacáveis em sua eficácia, me fez ousar alguns versos que tentam, timidamente, entender um pouco este substantivo feminino de difícil digestão.
“Quem nesta vida não perdeu um grande amor, E numa noite qualquer chorou, seja por quem for? Quem nesta vida não recebeu o sopro indiferente do fastio, Ou sobre o amado veio a morte, já que se vive por um fio?
Quem nunca perdeu um grande amor, Desses que existe nos sonhos da paixão, Desses que matam aos poucos a razão, E morrem no silêncio, quando finda a ilusão?
Como folhas no ar voam o poder, o dinheiro, o emprego. Como as ondas do mar vêm e vão os afetos, os amigos. São os ciclos da vida retirando a ferrugem das asas das almas, Empurrando a ave do ninho, porque chegou a hora de voar.
A ferida cria casca que fixa na pele uma marca perene. A mudança deixa uma marca gravada na alma da gente. Lutar é preciso, mas às vezes do mundo, perde-se tudo. Não esqueça, porém, sempre haverá você, e você é tudo. “
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