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Lágrimas diminuem desejo sexual do homem "Se não quer que saibam, não conte a ninguém", diz o ditado popular. Mas se precisar dizer por email, algumas dicas poderão salvá-lo.
Dados referentes ao mês de maio de 2009 sugerem que, em média, 2,8 milhões de emails são disparados em todo mundo - por segundo. Isso dá 250 bilhões de mensagens eletrônicas todos os dias, e nem todos são spam oferecendo a transferência de 20 milhões de dólares por conta do falecimento de um parente distante seu lá da Nigéria. Enviar email ainda é uma solução mais econômica que custear envelope, selo e encarar a fila em uma agência dos correios. Mas, ao depositar a correspondência nas caixas da ECT, devidamente selada e endereçada, existe alguma certeza de que apenas o destinatário verá o conteúdo da mensagem. Não é o caso dos emails. Estes podem ser interceptados no caminho entre os diferentes servidores que atravessam – e você pode jamais saber disso. Falta mencionar as cópias deixadas em seu PC, outra evidência do envio da mensagem. Olhos curiosos Através de seu PC você tem acesso aos seus emails, certo? Você e outros. Qualquer um que passe em frente à sua estação de trabalho, independentemente de você estar nela ou não, pode ver o conteúdo das mensagens que você escreve, que enviou ou que recebe. Tome providências para minimizar a visibilidade de suas comunicações eletrônicas. Em primeiro lugar, vale não deixar seu cliente de email aberto, pelo menos evite deixá-lo maximizado em primeiro plano. Não interessa se está usando um POP3, como o Hotmail ou o Outlook; se não estiver em uso, não deixe aberto. É normal que façamos logoff da máquina para sair na hora do almoço ou em ocasiões de ausência prolongada. Mas existem aquelas reuniões de última hora e que deviam levar apenas 2 minutos; deviam. Para esses casos, o negócio é usar a proteção de tela com proteção de senha. Em um PC com o Windows, vá até o painel de controle e configure o screensaver por lá. Defina um tempo razoavelmente curto para a proteção de tela entrar em ação. Procure não definir um tempo inferior a cinco minutos, pois é normal (dependendo de seu trabalho) deixar o mouse ou o teclado parado enquanto realiza outra tarefa. Algo entre dez e 15 minutos deve ser apropriado;não se esqueça de definir a solicitação de senha para desativar a proteção de tela. Não me leve a mal, mas, sim, uma senha segura faz parte do pacote. “1-2-3” não vai resolver a questão de segurança. Aliás, a sugestão básica é que não seja usado nenhum termo que conste em qualquer dicionário. Blindando o webmail A vantagem dos webmails é que são acessíveis de qualquer ponto em qualquer momento e a partir de qualquer dispositivo que seja capaz de se conectar à web. Em qualquer PC, mas especialmente em máquinas de uso público ou compartilhado, é importante realizar o logoff do site de emails ao terminar de ler suas mensagens. Se não tomar esse providência, sua caixa estará literalmente escancarada para o próximo usuário. Em alguns servidores de webmail, basta encerrar o browser, mas essa regra não é geral. Por falar em browsers, chame de navegadores, se preferir, a opção de limpar o cache ao sair da navegação é altamente recomendada. Pois nos dados do cachê ficam gravados dados referentes às mensagens enviadas. Melhor que isso, só se usar o que nos browsers Internet Explorer, Firefox e Chrome é chamado de “anonymous browsing” (navegação anônima). Com base nesse recurso, todo o histórico de suas ações na web ficam excluídas do cache do programa. Para situações em que você não tem o direito de modificar as configurações do browser (caso de muitos PCs compartilhados) é interessante usar o navegador alternativo àquele definido como padrão no sistema. Se o padrão for Internet Explorer, tente usar o Firefox, ou ao contrário. Assim você pode dificultar um pouco a vida dos xeretas e proteger sua conta de email. Criptografando sua mensagem Você pode cercar seu PC com minas terrestres, apagar o cache do navegador e criar senhas com 128 caracteres ou mais. Mas nada, nada mesmo, protege seu email quando este abandona o interior do PC e ganha a rede. Ao trafegar do ponto A para o ponto B, a mensagem pode ser interceptada por alguém não autorizado. Isso pode ser evitado - falo da leitura, não da interceptação. Basta criptografar a mensagem. Quem tiver acesso ao arquivo, vai passar dias na frente de um emaranhado de símbolos que significam nada, mesmo que nele esteja a data do fim do mundo ou o nome do próximo ganhador da Copa do Mundo. Se não tiver a chave para descriptografar a mensagem, de nada adiantou interceptar o conjunto de pacotes IP. No caso de webmails, como o do Yahoo!, o Hotmail ou o da Google, usar o SSL é uma opção. A maioria dos usuários de webmail reconhece o sinal que caracteriza o SSL, através do ícone de um pequeno cadeado exibido na página, ou porque veem que a URL é iniciada por HttpS, no lugar do tradicional Http. Mensagens enviadas a partir de conexões HttpS são protegidas de interceptação. Emails disparados a partir do Outlook também podem ser criptografados. Diferente do esquema SSL, o Outlook se serve de chaves públicas ou privadas. Ao emitir um email, o remetente aplica uma chave própria e a mensagem pode ser lida apenas por usuários que tenham o código público associado. Essa chave pública pode ser partilhada com pessoas que usem o Outlook ou qualquer outro serviço de email. O futuro da mensagem As precauções descritas acima servem para ajudá-lo a proteger a mensagem durante sua escrita e depois do envio, mas de que forma se prevenir contra a possibilidade de o email ser encaminhado para outras pessoas a partir da caixa de entrada do destinatário original? O Microsoft Outlook tem recursos de gestão dos direitos (IRM) que possibilitam algum controle sobre a mensagem depois de enviada. Ao escrever um email usando o Outlook 2010, selecione o item “opções” na barra de ferramentas e selecione a opção “não permitir forward”. Pessoas que usem clientes de email sem suporte ao IRM da Microsft, precisam baixar o add-on para IRM disponível para o Internet Explorer, se quiserem ler mensagens restritas. Algumas empresas gerenciam as credenciais do IRM a partir de um servidor próprio. Mas aqueles que não o fazem, podem contar com a MS para tal. Ao usar o recurso pela primeira vez, a Microsoft abrirá a caixa de diálogo para registrar o serviço. Uma vez em uso, o recurso que nega o encaminhamento da mensagem permite que apenas o destinatário leia o email. Ao tentar encaminhar a mensagem, não será possível. Outra alternativa é determinar um prazo para a mensagem expirar. Uma vez definidos a data a e o horário para uma mensagem expirar, o destinatário não terá como ler o conteúdo da mensagem. Essa opção, contudo, está disponível apenas para determinadas configurações definidas no servidor Exchange e confirmadas nas políticas para grupos de usuários. Não adianta definir data e horário para expiração de mensagens enviadas para o Gmail, por exemplo. As dicas dadas nesse texto servem para orientar você a aumentar a proteção de sua correspondência eletrônica. Mas nenhuma delas vai garantir os tão almejados 100% de robustez. Lembre-se daquele ditado: Se não quer que saibam, não conte.
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Desconfie da ciência Nem sempre o que as pesquisas mostram condiz com a verdade. Aprenda a identificar os velhos truques dos novos estudos.
Pense em quantas notícias você já leu sobre os riscos de se fazer isso ou aquilo. Nos últimos anos, pesquisas alertaram que beber chá quente aumenta em 8 vezes o risco de câncer de esôfago, usar talco íntimo representa 36% mais chances de câncer de ovário e 50g de bacon por dia fazem crescer em 20% a chance de câncer colorretal. Assustador, né? Há muitas formas de manchetes como essas causarem um impacto maior do que realmente deveriam. A informação do bacon, por exemplo, não foi divulgada em conjunto com o risco que qualquer pessoa teria, mesmo sem consumir o produto, de ter câncer colorretal durante a vida: 5%, de acordo com o Instituto para Pesquisa de Câncer do Reino Unido. Ou seja, comer bacon faz com que o risco suba de 5% para 6%. Já o efeito do talco faz a mulher passar de uma chance de contrair a doença de 1,9% para 2,5%. Não deve ser desconsiderado, mas não é tão alarmante. Esse tipo de falsa impressão é um dos enganos na produção e divulgação de pesquisas. A questão é tão séria que motivou o psicólogo alemão Gerd Gigerenzer a produzir um livro inteiro. “Escrevi Reckoning with Risk [Reconhecendo o risco] para apresentar ferramentas que ajudem as pessoas a entender e comunicar essas incertezas”, diz o pesquisador. As ferramentas de Gigerenzer para “entender como os erros se constroem” são resumidas por ele em duas regras: 1) saber que a ciência nunca apresenta certezas, apenas probabilidades; 2) tentar colocar as porcentagens do jeito mais simples para não ser enganado. Os números mentem A importância da segunda regra é confirmada por uma série de testes mostrando que as pessoas nem sempre entendem o que os números têm a dizer. Um deles, do psicólogo japonês Kimihiko Tamagishi, da Universidade Shukutoku, constatou que, para a maioria, ouvir que uma doença mata “1.286 a cada 10.000” é muito mais ameaçador do que ser informado que mata “24,14 a cada 100” — mesmo que a segunda estatística represente quase o dobro de risco. Da mesma forma, ouvir que a enfermidade mata 100 pessoas por dia causa menos percepção de risco do que ouvir que mata 36.500 por ano, o que, na prática, dá na mesma. Mas o engano não para aí. Outro erro frequente é construir uma relação de causa e efeito duvidosa entre dois fatores. Exemplo disso é um levantamento de pesquisadores australianos publicado em 2010 no Journal of the American College of Cardiology, que dizia haver uma correlação entre o número de horas passadas em frente à TV e o risco de morte. Dentre os 8.800 pesquisados, o grupo que passava 4 ou mais horas por dia em frente à tela teve 46% mais ocorrências de mortes do que o grupo moderado (até 2 horas). Se você der um Google, encontra facilmente títulos como “Televisão em excesso aumenta risco de morte”, escondendo nas entrelinhas um fato que os próprios pesquisadores admitiram: há razões para não levar esse número tão ao pé da letra. Uma delas é fácil descobrir: é mais provável que pessoas com problemas graves de saúde, impossibilitadas de fazer atividade física, fiquem mais tempo na frente da televisão. Nesses casos, uma maior proximidade da morte leva à TV e não o oposto. Outra dica para contextualizar uma pesquisa é checar o número de voluntários. Quando o argumento é uma relação estatística, ele não pode ser pequeno. Isso fica claro em artigo publicado em março no prestigiado periódico Neurology, que causou furor no debate sobre o uso de maconha com fins medicinais. O estudo de Anthony Feinstein, da Universidade de Toronto, no Canadá, sugere que os consumidores da droga com esclerose múltipla têm o dobro de probabilidade de demonstrar problemas de cognição, principalmente danos na velocidade de raciocínio. Quantos voluntários foram usados? Dois grupos de 25 pessoas (um de fumantes e outro de não fumantes). O próprio Feinstein admitiu que “a base de dados é pequena” e que seriam necessários mais participantes para consolidar os resultados. Além disso, não foi divulgada a probabilidade de um doente que não use maconha ter os mesmos problemas pesquisados – se o risco fosse de um em 1 milhão, dando um exemplo exagerado, dobraria para 2 a cada milhão, o que não seria motivo para tanto alarde. “Na imensa maioria dos casos, os jornalistas não inventam números”, diz Nigel Hawkes, da ONG britânica Straight Statistics, dedicada a mostrar os abusos e enganos produzidos pela mídia. “Mas eles não podem ser completamente inocentados. Se é preciso escolher um número, sempre pegam o maior. E estão muito inclinados a engolir direto o que as notas à imprensa dizem.” Os erros da ciência Isso não exclui a responsabilidade dos cientistas. No caminho até a verdade eles erram, e muito. Recentemente, por exemplo, descobriu-se que o ômega 3, substância há muito tempo vendida para prevenir problemas do coração, pode, na verdade, agravar uma situação cardíaca. Um estudo recém-publicado no JAMA, famoso periódico da Associação Médica Americana, avaliou 663 pacientes e viu que, ao contrário do indicado por pesquisas anteriores, consumir ômega 3 piora as chances de ter fibrilação atrial, uma arritmia muito comum. Esse conflito de pesquisas nem de longe é um caso isolado. Um dia, comer ovo ajuda o coração; no dia seguinte, aumenta risco de enfarte. Aspirina um dia ajuda a mitigar o avanço do mal de Alzheimer; no outro, não tem efeito contra a doença. Mas por que tanta diferença entre os estudos? “Por que a maioria das descobertas de pesquisas é falsa.” Este é o título de um ensaio escrito pelo epidemiologista John Ioannidis, Ph.D. na Universidade Tufts, nos Estados Unidos. Para ele, especialista em descobrir erros científicos, falta mais rigor matemático. Em trabalho publicado no importante periódico PloS Medicine, ele demonstra, por meio de simulações e cálculos, que várias das conclusões obtidas com manipulação estatística possuem, dentro de si, uma probabilidade altíssima de serem apenas um “acidente” de contabilidade. Mas, ainda que o pesquisador se esforce para eliminar posturas tendenciosas, ele pode ser “enganado” pelos resultados. Muitas vezes o que parece uma correlação clara entre causa e efeito é apenas uma infeliz coincidência, defende Ioannidis. Se você não é um especialista, a forma mais indicada de separar o joio do trigo é ter postura crítica frente a pesquisas, tentar identificar os erros mais comuns, como o uso falho de estatísticas e relações que parecem não ter sentido. E, antes de mudar um comportamento após ler que alguma coisa faz mal, consulte um médico para saber se o estudo é confiável ou se é um ponto fora da curva. |
